p.s.: convite enviado por e-mail.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Livros e coisas
As coisas têm peso, massa, volume,
tamanho, tempo, forma, cor, posição,
textura, duração, densidade, cheiro,
valor, consistência, profundidade, contorno,
temperatura, função, aparência, preço,
destino, idade, sentido.
As coisas não têm paz.
As coisas, Arnaldo Antunes
Em tempos de internet, Ipad, Iphone, e-book, acentua-se a questão à respeito das coisas, o valor dos objetos. Se antigamente os livros eram feitos de papel trapo, fibra de algodão, e por isso mesmo duraram tanto tempo, hoje o que temos são publicações de baixíssima qualidade editorial, com algumas raras excessões.
Claro que não podemos esquecer que a revolução que a internet e os meios digitais de reprodução proporcionaram colabora com a facilidade de acesso à leitura e à produção de conhecimento. Mas longe de uma coisa matar a outra, parafraseando o padre Claude Frollo, personagem do “Notre Dame de Paris” de Victor Hugo[i].
O objeto livro não deverá desaparecer assim tão facilmente. Inclusive pelo valor afetivo que envolve o contato com o livro durante a sua leitura.
Um livro ilustrado, um livro bem diagramado, com bom papel... Todos esses itens conferem matéria poética ao livro, que deixa de ser mero suporte ou invólucro de textos literários. A estrutura física é parte primordial da obra livro. Um livro visto enquanto objeto extrapola os padrões de forma e funcionalidade. Nesse sentido, o livro torna-se espaço possível de percepção plástica.
A leitura, conforme Certeau (1994), não se deixa fixar e não possui reservas, o livro se tornará, então, aquilo que se pode guardar numa estante, numa mesa, na memória. Não (apenas) pelo seu conteúdo, pela história que ensina, pelo estilo do autor, mas porque, naquela edição, com aquela capa, com aquela cor, com aquele tipo de papel e letra, o livro poderá oferecer ou mesmo restituir imagens, fatos, sensações, sentimentos e até pessoas significativas, que estão ligadas a um momento da vida - singular - vivido e gerador de uma experiência e de uma memória de leitura.[ii]
Estamos cercados de objetos que nos afetam. Para Jean Baudrillard[iii], o objeto possui características essenciais, relacionadas à função, e inessenciais, relacionadas ao âmbito psicológico ou sociológico de uso e necessidades humanas. Tendo em vista que somos seres psicológicos e sociais, características como cor, forma e textura, – características dispensáveis à funcionalidade do objeto - por exemplo, podem fazer de um objeto essencial a um determinado indivíduo. O valor de memória de uma fotografia pode torná-la uma relíquia a alguém.
[i] O padre profere as palavras “Ceci tuera cela” – isto vai matar aquilo – ao observar um livro impresso sobre a sua mesa. Naquela época, século 15 (logo após a invenção da imprensa), o conhecimento era transmitido através de imagens nos edifícios, vitrais de Catedral. A arquitetura era a maior fonte de informação. Assim, era de se entender a preocupação do padre Frollo frente à nova invenção. Seu medo era de que o livro, a imprensa, destruísse a catedral.
[ii] GOULART, Ilsa do Carmo V. O livro: objeto de estudo e memória de leitura. Dissertação - Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, 2009, pág. 3.
[iii] BAUDRILLARD, Jean. O sistema dos objetos. Série Debates, 4ª Ed., São Paulo: Perspectiva, 2000.
Ps.: Texto em construção. Estou desenvolvendo, juntamente com a amiga e colega de curso Fernanda Ricchiero Dusek, pesquisa sobre ex libris e as coleções que integram o acervo da Biblioteca Central dos Estudantes da UnB. Aqui, divulgo ensaios e insights que nos possam servir de embasamento teórico. O texto acima foi escrito tendo como estímulos reflexões realizadas nas disciplinas Ateliê 1 e Museologia, patrimônio e memória, orientadas pelas profs. Grace de Freitas e Ana Abreu, respectivamente.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Sobre reconstrução & restauração
Um texto muito interessante sobre a questão dos patrimônios imóveis na Alemanha, abordando os impasses conceituais da reconstrução e restauração de edifícios.
Wiederaufbau: a Alemanha e o sentido da reconstrução
Texto enviado pela prof. Ana Abreu da disciplina "Museologia, patrimônio e memória" da UnB.
Wiederaufbau: a Alemanha e o sentido da reconstrução
Texto enviado pela prof. Ana Abreu da disciplina "Museologia, patrimônio e memória" da UnB.
domingo, 29 de agosto de 2010
O livro de artista como um lugar tátil
Nesta pesquisa, feita por Márcia Regina P. Souza a forma é analisada como elemento estrutural do livro enquanto objeto de arte – o “livro de artista”. Nesse sentido, o livro torna-se lugar tátil, “lugar fundado pelo/a artista e fruído pelo folheador”.
Texto completo disponível em:
http://www.pergamumweb.udesc.br/dados-bu/000000/00000000000F/00000FE9.pdf
Texto completo disponível em:
http://www.pergamumweb.udesc.br/dados-bu/000000/00000000000F/00000FE9.pdf
terça-feira, 20 de julho de 2010
Química do papel
A melhor aula de química que assisti até hoje foi uma aula especial da disciplina “Conservação e Restauração” do Departamento de Biblioteconomia da UnB, mas não me lembro o nome da professora convidada, lamentavelmente. A aula tratava de química do papel.
Eu já possuía alguns conhecimentos sobre a manufatura do papel pelas experiências no Laboratório de Materiais Expressivos do Instituto de Artes (Maquete), tendo participado de pesquisa e oficinas sob a orientação da papeleira e professora Therese Hoffmann.
O papel é essencialmente matéria orgânica (isso explica porquê as traças o adoram), proveniente da celulose que existe nos vegetais. Podemos obter papel das fibras das mais variadas plantas, mas algumas se mostram mais vantajosas que outras. O algodão, por exemplo, possui fibras longas, o que resulta num papel muito resistente. Os papeis feitos de fibra de algodão são usados em trabalhos de restauração e trabalhos de arte que exigem um suporte de alta qualidade.
A estrutura vegetal é constituída de celulose associada à lignina. A lignina é responsável pela rigidez, impermeabilidade e resistência dos tecidos vegetais. Para fazer papel é necessário “quebrar” a lignina para soltar as fibras da planta e separar a celulose. De maneira artesanal, esse processo pode ser feito deixando o caule de uma bananeira, por exemplo, de molho em água misturada com soda cáustica. Pode-se cozinhar essa mistura para acelerar a reação.
Assim é feita a polpa do papel. Misturado à água, ele passa por uma espécie de peneira para ficar no formato retangular. O papel industrial passa antes pelo branqueamento, que é um processo altamente tóxico. Depois de escoada a água, o papel é prensado com o peso necessário a cada gramatura que se pretende.
Eu já possuía alguns conhecimentos sobre a manufatura do papel pelas experiências no Laboratório de Materiais Expressivos do Instituto de Artes (Maquete), tendo participado de pesquisa e oficinas sob a orientação da papeleira e professora Therese Hoffmann.
O papel é essencialmente matéria orgânica (isso explica porquê as traças o adoram), proveniente da celulose que existe nos vegetais. Podemos obter papel das fibras das mais variadas plantas, mas algumas se mostram mais vantajosas que outras. O algodão, por exemplo, possui fibras longas, o que resulta num papel muito resistente. Os papeis feitos de fibra de algodão são usados em trabalhos de restauração e trabalhos de arte que exigem um suporte de alta qualidade.
A estrutura vegetal é constituída de celulose associada à lignina. A lignina é responsável pela rigidez, impermeabilidade e resistência dos tecidos vegetais. Para fazer papel é necessário “quebrar” a lignina para soltar as fibras da planta e separar a celulose. De maneira artesanal, esse processo pode ser feito deixando o caule de uma bananeira, por exemplo, de molho em água misturada com soda cáustica. Pode-se cozinhar essa mistura para acelerar a reação.
Assim é feita a polpa do papel. Misturado à água, ele passa por uma espécie de peneira para ficar no formato retangular. O papel industrial passa antes pelo branqueamento, que é um processo altamente tóxico. Depois de escoada a água, o papel é prensado com o peso necessário a cada gramatura que se pretende.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Ex libris do empresário José Mindlin, dono de uma das mais espetaculares coleções do País, com quase 30 mil volumes. É uma etiqueta simples com uma frase, em francês, retirada dos Ensaios de Montaigne: “Je ne fait rien sans gayeté” (“eu não faço nada sem alegria”).
Ex libris de Agripino Grieco, baseado na caricatura feita por Alvarus (Álvaro Cotrim). O ex libris foi feito após a morte de Grieco, devido à aquisição de seus livros pela Biblioteca Central dos Estudantes da Universidade de Brasília.
Nota-se que o selo foi colado sobre outro.
Nota-se que o selo foi colado sobre outro.
Ex libris de Carlos Lacerda. O desenho traz imagem que remete ao jornal fundado pelo político.
Ex libris de Homero Pires, ensaísta, crítico literário, bibliófilo e fundador do jornal O Imparcial. Água-forte de Cornélio Penna.
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