segunda-feira, 21 de novembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
Alice no país das maravilhas
Um mimo bibliófilo digitalizado recentemente pelo Internet Archive.
Além do trabalho primoroso, que preserva a coloração e as características originais da obra - e as marcas do tempo -, o Internet Archive digitalizou também o texto. É possível buscar palavras dentro do texto original (e os resultados de busca são exibidos em uma linha inferior ao livro).
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
A Gravura de Carlos Oswald
Brasília recebe uma bela exposição das obras de Carlos Oswald, na Caixa Cultural até o dia 20 de novembro. Seus desenhos, pinturas e gravuras revelam um precioso estudo da luz, aplicando de maneira acertada o claro e o escuro, luz, sombra e reflexos.
Entre inúmeros feitos, Carlos Oswald é responsável pelo desenho final do Cristo Redentor, que abraça do alto do morro do Corcovado, a cidade do Rio de Janeiro. O projeto técnico foi feito pelo engenheiro Heitor da Silva Costa e executado na França pelo escultor Paul Landowski.
O artista ítalo-brasileiro foi o principal incentivador e divulgador, no Brasil, da gravura como expressão artística, para além de ser mera técnica de reprodução de imagens. Em 1913 funda a primeira Escola de Gravura, que viria a formar outros excelentes gravadores como Hans Steiner (1910-1974), Darel Valença Lins (1924), Oswaldo Goeldi (1895–1961), Lasar Segall (1891-1957), entre outros.
"(...) Sei que em todo o mundo o despertar do interesse pela gravura nasceu e se desenvolveu no nosso século pelas razões que todos conhecem: 'sintetismo', em oposição à exagerada policromia dos pós-impressionistas; entusiasmo pela ressurreição desta arte que tinha sido morta pelos processos mecânicos derivantes da fotografia; o misterioso de seus efeitos de claro-escuro e sua técnica de feitio alquimista; sua prática que lhe facilitava a repetição em muitos exemplares e que a tornava uma arte mais harmoniosa com os nossos costumes democráticos; uma arte democrática, enfim; e, finalmente, seu caráter de novidade que fazia arregalar os olhos não só ao público em geral, mas à maioria dos próprios artistas quando se lhes falava de água-forte, ponta-seca, água-tinta, mezzotinta, talho-doce, xilografia, etc". Carlos Oswald (1957)
GRAVURA Brasileira/textos de Leon Kossovitc e Mayra Laudanna, Ricardo Resende; apresentação Ricardo Ribenboim. São Paulo: Cosac & Naify/Itaú Cultural, 2000, p. 38.
A Caixa Cultural está de parabéns. O Catálogo da exposição é um verdadeiro livro de arte, com reproduções muito bem feitas das obras expostas, belo projeto gráfico e impressão.
Entre inúmeros feitos, Carlos Oswald é responsável pelo desenho final do Cristo Redentor, que abraça do alto do morro do Corcovado, a cidade do Rio de Janeiro. O projeto técnico foi feito pelo engenheiro Heitor da Silva Costa e executado na França pelo escultor Paul Landowski.
Postal de inauguração do Cristo Redentor
Rio de Janeiro, 12 de outubro de 1931
O artista ítalo-brasileiro foi o principal incentivador e divulgador, no Brasil, da gravura como expressão artística, para além de ser mera técnica de reprodução de imagens. Em 1913 funda a primeira Escola de Gravura, que viria a formar outros excelentes gravadores como Hans Steiner (1910-1974), Darel Valença Lins (1924), Oswaldo Goeldi (1895–1961), Lasar Segall (1891-1957), entre outros.
Tocando Debussy. Água-forte, 1914
Teresópolis. Água-tinta, água-forte e ponta-seca, 1925
Pedra de Itapuca - Icaraí. Água-tinta aquarelada, 1940
"(...) Sei que em todo o mundo o despertar do interesse pela gravura nasceu e se desenvolveu no nosso século pelas razões que todos conhecem: 'sintetismo', em oposição à exagerada policromia dos pós-impressionistas; entusiasmo pela ressurreição desta arte que tinha sido morta pelos processos mecânicos derivantes da fotografia; o misterioso de seus efeitos de claro-escuro e sua técnica de feitio alquimista; sua prática que lhe facilitava a repetição em muitos exemplares e que a tornava uma arte mais harmoniosa com os nossos costumes democráticos; uma arte democrática, enfim; e, finalmente, seu caráter de novidade que fazia arregalar os olhos não só ao público em geral, mas à maioria dos próprios artistas quando se lhes falava de água-forte, ponta-seca, água-tinta, mezzotinta, talho-doce, xilografia, etc". Carlos Oswald (1957)
GRAVURA Brasileira/textos de Leon Kossovitc e Mayra Laudanna, Ricardo Resende; apresentação Ricardo Ribenboim. São Paulo: Cosac & Naify/Itaú Cultural, 2000, p. 38.
A Caixa Cultural está de parabéns. O Catálogo da exposição é um verdadeiro livro de arte, com reproduções muito bem feitas das obras expostas, belo projeto gráfico e impressão.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Exposição Brasiliana Itaú em Brasília

Panorama de São Luiz do Maranhão, c. 1860 | Joseph Léon Righini | Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural
Pinturas, aquarelas, desenhos, gravuras, mapas, documentos e livros ligados à história do Brasil desde o período colonial até as primeiras edições dos álbuns produzidos no século XIX, assim como os livros de artistas ilustrados do século XX, invadem o Distrito Federal com a chegada da mostra Brasiliana Itaú ao Museu Nacional do Conjunto Cultural da República.
Com curadoria de Pedro Corrêa do Lago, a exposição fica em cartaz de 14 de julho a 21 de agosto. Entre seus destaques estão um retrato de Dom Pedro II ainda jovem, feito por Rugendas em 1846, a pintura Povoado Numa Planície Arborizada, de Frans Post, que retrata um típico vilarejo nordestino do começo do século XVII, além de um conjunto de quadros e gravuras de viajantes e naturalistas.
A última parte da mostra contém livros de grande importância para a cultura brasileira, manuscritos de todos os governantes do país e documentos do período da escravidão. Também será exibida uma coleção em que a obra de grandes artistas se mescla com o trabalho de importantes escritores.
O acervo completo da Brasiliana conta com 1,2 mil itens, com cerca de cinco mil imagens.
Hoje, dia 15 de agosto às 19h, haverá uma mesa-redonda com a participação do curador, Pedro Corrêa do Lago; do diretor da CAL, Zulu Araújo, e do diretor do Museu Nacional da República, Wagner Barja. Amanhã, 16 de agosto, haverá visita-guiada com o curador às 16h.
Local: Museu Nacional Honestino Guimarães (Conjunto Cultural da República)
Data: até 21 de agosto
Visitação: de terça à domingo, das 9h às 18h30
fonte: Itaú Cultural
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Ex libris - pequeno objeto do desejo
O blog estava meio parado, enquanto o mundo dava voltas...
Nessas voltas que o mundo dá, encontramos Fátima de Figueiredo, irmã da professora Stella Maris Bertinazzo. Agora estamos, eu e Márcio da Costa, finalizando o livro "Ex libris: pequeno objeto do desejo". Os esforços indicam que ele estará pronto até abril de 2012, ocasião dos 50 anos da Universidade de Brasília.
Stella Maris foi artista múltipla, vanguardista, com trabalhos desenvolvidos e divulgados em várias capitais do Brasil, nos Estados Unidos, no Japão, na Itália e em Portugal. Educadora por excelência, promoveu grandes avanços no Instituto de Artes da UnB (IdA), como a instalação do Núcleo de Gravura. Pesquisadora e grande valorizadora das tradições do Brasil, sua obra fundou-se nos temas regionais.
Atuou em Brasília durante décadas tendo realizado diversos trabalhos no campo da educação, da produção cultural e da curadoria de exposições de vários artistas.
Stella formou-se Bacharel em Gravura pela Escola de Belas Artes da universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte e foi Mestre em Artes pela Escola de Educação, Saúde e Artes da New York University, em Nova York.
Pouco antes de falecer, Stella Maris estava fazendo a revisão final do livro Ex libris – Pequeno objeto do desejo, que é praticamente o segundo sobre o tema editado no Brasil. Os ex libris são marcas de propriedade aplicadas a livros e muito contribuíram para a formação de uma arte que acompanhava as tendências de uma época. No livro, que está sendo revisto e finalizado - num trabalho conjunto da família da artista, designers pesquisadores do tema e a Editora da Universidade de Brasília -, a artista faz um levantamento histórico dos ex libris.
Nessas voltas que o mundo dá, encontramos Fátima de Figueiredo, irmã da professora Stella Maris Bertinazzo. Agora estamos, eu e Márcio da Costa, finalizando o livro "Ex libris: pequeno objeto do desejo". Os esforços indicam que ele estará pronto até abril de 2012, ocasião dos 50 anos da Universidade de Brasília.
Stella Maris foi artista múltipla, vanguardista, com trabalhos desenvolvidos e divulgados em várias capitais do Brasil, nos Estados Unidos, no Japão, na Itália e em Portugal. Educadora por excelência, promoveu grandes avanços no Instituto de Artes da UnB (IdA), como a instalação do Núcleo de Gravura. Pesquisadora e grande valorizadora das tradições do Brasil, sua obra fundou-se nos temas regionais.
Atuou em Brasília durante décadas tendo realizado diversos trabalhos no campo da educação, da produção cultural e da curadoria de exposições de vários artistas.
Stella formou-se Bacharel em Gravura pela Escola de Belas Artes da universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte e foi Mestre em Artes pela Escola de Educação, Saúde e Artes da New York University, em Nova York.
Pouco antes de falecer, Stella Maris estava fazendo a revisão final do livro Ex libris – Pequeno objeto do desejo, que é praticamente o segundo sobre o tema editado no Brasil. Os ex libris são marcas de propriedade aplicadas a livros e muito contribuíram para a formação de uma arte que acompanhava as tendências de uma época. No livro, que está sendo revisto e finalizado - num trabalho conjunto da família da artista, designers pesquisadores do tema e a Editora da Universidade de Brasília -, a artista faz um levantamento histórico dos ex libris.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Livros e coisas
As coisas têm peso, massa, volume,
tamanho, tempo, forma, cor, posição,
textura, duração, densidade, cheiro,
valor, consistência, profundidade, contorno,
temperatura, função, aparência, preço,
destino, idade, sentido.
As coisas não têm paz.
As coisas, Arnaldo Antunes
Em tempos de internet, Ipad, Iphone, e-book, acentua-se a questão à respeito das coisas, o valor dos objetos. Se antigamente os livros eram feitos de papel trapo, fibra de algodão, e por isso mesmo duraram tanto tempo, hoje o que temos são publicações de baixíssima qualidade editorial, com algumas raras excessões.
Claro que não podemos esquecer que a revolução que a internet e os meios digitais de reprodução proporcionaram colabora com a facilidade de acesso à leitura e à produção de conhecimento. Mas longe de uma coisa matar a outra, parafraseando o padre Claude Frollo, personagem do “Notre Dame de Paris” de Victor Hugo[i].
O objeto livro não deverá desaparecer assim tão facilmente. Inclusive pelo valor afetivo que envolve o contato com o livro durante a sua leitura.
Um livro ilustrado, um livro bem diagramado, com bom papel... Todos esses itens conferem matéria poética ao livro, que deixa de ser mero suporte ou invólucro de textos literários. A estrutura física é parte primordial da obra livro. Um livro visto enquanto objeto extrapola os padrões de forma e funcionalidade. Nesse sentido, o livro torna-se espaço possível de percepção plástica.
A leitura, conforme Certeau (1994), não se deixa fixar e não possui reservas, o livro se tornará, então, aquilo que se pode guardar numa estante, numa mesa, na memória. Não (apenas) pelo seu conteúdo, pela história que ensina, pelo estilo do autor, mas porque, naquela edição, com aquela capa, com aquela cor, com aquele tipo de papel e letra, o livro poderá oferecer ou mesmo restituir imagens, fatos, sensações, sentimentos e até pessoas significativas, que estão ligadas a um momento da vida - singular - vivido e gerador de uma experiência e de uma memória de leitura.[ii]
Estamos cercados de objetos que nos afetam. Para Jean Baudrillard[iii], o objeto possui características essenciais, relacionadas à função, e inessenciais, relacionadas ao âmbito psicológico ou sociológico de uso e necessidades humanas. Tendo em vista que somos seres psicológicos e sociais, características como cor, forma e textura, – características dispensáveis à funcionalidade do objeto - por exemplo, podem fazer de um objeto essencial a um determinado indivíduo. O valor de memória de uma fotografia pode torná-la uma relíquia a alguém.
[i] O padre profere as palavras “Ceci tuera cela” – isto vai matar aquilo – ao observar um livro impresso sobre a sua mesa. Naquela época, século 15 (logo após a invenção da imprensa), o conhecimento era transmitido através de imagens nos edifícios, vitrais de Catedral. A arquitetura era a maior fonte de informação. Assim, era de se entender a preocupação do padre Frollo frente à nova invenção. Seu medo era de que o livro, a imprensa, destruísse a catedral.
[ii] GOULART, Ilsa do Carmo V. O livro: objeto de estudo e memória de leitura. Dissertação - Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, 2009, pág. 3.
[iii] BAUDRILLARD, Jean. O sistema dos objetos. Série Debates, 4ª Ed., São Paulo: Perspectiva, 2000.
Ps.: Texto em construção. Estou desenvolvendo, juntamente com a amiga e colega de curso Fernanda Ricchiero Dusek, pesquisa sobre ex libris e as coleções que integram o acervo da Biblioteca Central dos Estudantes da UnB. Aqui, divulgo ensaios e insights que nos possam servir de embasamento teórico. O texto acima foi escrito tendo como estímulos reflexões realizadas nas disciplinas Ateliê 1 e Museologia, patrimônio e memória, orientadas pelas profs. Grace de Freitas e Ana Abreu, respectivamente.
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